Postado em 19 de novembro de 2018
 Categoria Saúde

O câncer de pâncreas corresponde a 2% de todas as neoplasias malignas diagnosticadas. Comparativamente a outros tumores é pouco frequente. Entretanto é a quarta neoplasia que mais mata no mundo, atrás apenas de pulmão, próstata e cólon (nos homens) e pulmão, mama e cólon (nas mulheres), lembrando que estas neoplasias são muito mais comuns que o câncer de pâncreas. Portanto, o câncer de pâncreas é uma das neoplasias de maior letalidade entre todas.

tratamento do câncer de pâncreas

Estatisticamente, em cada 10 pessoas diagnosticadas com adenocarcinoma de pâncreas 7 irão falecer desta doença no período de 1 ano.

Entenda a seriedade do câncer de pâncreas

Esta mortalidade expressiva se deve aos seguintes fatores:

  • O câncer de pâncreas raramente causa sintomas, em seus estágios iniciais e mesmo com exames de imagem é de difícil detecção precoce;
  • Biologicamente, é um tumor muito agressivo com rápida capacidade de se disseminar pela corrente sanguínea para outros órgãos, mesmo quando é pequeno. Além de ter capacidade de sofrer mutações que o tornam resistente aos medicamentos usados em quimioterapia.
  • Devido ao pâncreas ser um órgão pequeno e próximo a órgãos e estruturas importantes abdominais, frequentemente um pequeno tumor de pâncreas pode ser impossível de ser removido pois, invade artérias vitais que não podem ser lesadas em uma cirurgia;
  • A neoplasia de pâncreas consome muita energia do paciente, e além disso causa rapidamente graves complicações locais como obstrução de vias biliares e obstrução do trato intestinal;
  • A cirurgia para ressecção do pâncreas é muito complexa e com alta chance de complicação;
  • Os esquemas de quimioterapia são intensos e muitas vezes os pacientes mais debilitados não conseguem receber o tratamento.

câncer pâncreas

Isso tudo torna o tratamento do câncer de pâncreas um dos maiores desafios para a oncologia.

Os principais cuidados durante o tratamento de câncer de pâncreas

Para essa neoplasia, mais do que nunca, a atuação de uma equipe multidisciplinar em oncologia composta de oncologista clínico, cirurgião oncológico e cirurgião do aparelho digestivo, radio-oncologista (radioterapia), médico endoscopista, médico radiologista intervencionista e nutricionista é essencial para proporcionar o tratamento mais adequado.

procedimentos câncer de pâncreas

Frente ao diagnóstico ou apenas suspeita de câncer de pâncreas, o paciente já deve imediatamente ser avaliado por um especialista que deve rapidamente fazer os exames de diagnóstico e já as intervenções terapêuticas. Muitas vezes procedimentos de urgência como desobstrução de vias biliares são necessários, bem como biópsias.

Quando o tumor é pequeno e não invade estruturas importantes fora do pâncreas, está indicado a cirurgia de duodeno-pancreatectomia, ou pancreatectomia corpo-caudal, conforme a localização do tumor.

cirurgia para câncer de pâncreas

Após a cirurgia, deve ser feito quimioterapia para reduzir a chance do tumor voltar.

Para tumores grandes, onde não há possibilidade de cirurgia. Novos esquemas de quimioterapia desenvolvidos desde 2012, tem proporcionado pela primeira vez redução expressiva do tamanho do tumor permitindo então, uma cirurgia posterior em casos selecionados.

E radioterapia moderna também tem auxiliado na redução do tumor, podendo ser uma opção para pacientes que não tem condições clínicas, de suportar uma cirurgia grande.

Para os casos de câncer disseminado para outros órgãos (metástases), o tratamento ainda é muito difícil, mas nos últimos 6 anos o desenvolvimento de novos esquemas de quimioterapia tem permitido, boas respostas ao tratamento, com redução objetiva dos tumores e mesmo que não atinjam a cura da doença, proporcionam aumento da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes.

O câncer de pâncreas ainda é uma doença gravíssima, mas tem tratamento. O tratamento é complexo e deve ser personalizado conforme o estado clínico do paciente. Durante o tratamento serão necessários exames complementares adequados e exames biomoleculares nas amostras tumorais.

Todo o procedimento deve ser gerido por uma equipe médica especializada e dedicada, com acesso a tratamentos de quimioterapia, cirurgia, radioterapia, endoscopia e radiologia intervencionista e suporte clínico e nutricional.

Dr. Fernando Chicoski
Cancerologista Clínico
CRM-PR: 19102
RQE: 14016
Neo Saúde – oncologia

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