Postado em 9 de outubro de 2018
 Categoria Saúde

Muito divulgado agora em outubro de 2018, o prêmio Nobel de Medicina concedido a James P. Allison e Tasuku Honjo, pesquisadores que estudaram a interação do sistema imunológico com o câncer e descobriram os receptores CTLA-4 e PD-L1 que são responsáveis por essa interação, consagra um árduo trabalho de mais de 20 anos de pesquisa e desenvolvimento que nos permite agora o acesso a uma classe de medicamentos para tratar o câncer. Especificamente aos chamados “inibidores de check-point” que são os medicamentos mais modernos entre os imunoterápicos, que têm demonstrado resultados mais expressivos no tratamento de determinados tipos de câncer.

É importante lembrar que o tratamento do câncer é extremamente complexo e todos os tipos de tratamentos disponíveis: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormônio-terapia, terapias alvo-molecular e imunoterapia; precisam ser empregados de forma correta, para a doença certa, o paciente certo e no momento adequado. E por isso, é essencial que o paciente seja avaliado e acompanhado por médicos que estejam sempre atualizados e principalmente comprometidos com um atendimento integral e individualizado de cada paciente.

Para escolher que tipo de tratamento é o melhor para cada caso, hoje é obrigatório a realização de exames laboratoriais, exames de imagem e exames específicos em amostras obtidas por biópsia do tumor que nos permitem saber a sensibilidade do câncer aos diferentes tipos de tratamento.

Apesar de noticiados como extremamente novos, já temos medicamentos imunoterápicos (inibidores de check-point) liberados para uso e disponíveis no Brasil desde 2012. E desde 2016 houve lançamento de novos medicamentos desta classe bem como os estudos clínicos tem demonstrando benefício destes tratamentos em cada vez mais tipos de tumores, aumentando o número de pacientes selecionados para a imunoterapia.

Ainda não temos dados nacionais unificados do volume de pacientes recebendo imunoterapia. Mas para se ter um exemplo da rápida expansão deste tipo de tratamento, um levantamento em apenas 1 clínica particular de oncologia em Curitiba relata 34 pacientes que receberam ou ainda recebem tratamento com “inibidores de check-point” desde 2016, totalizando até agora 317 sessões de imunoterapia. Sendo o câncer de pulmão, o melanoma (que é um tipo agressivo de câncer de pele), o câncer de rim e o câncer de bexiga, as neoplasias mais tratadas com estes novos medicamentos.

Fonte: Neo Saúde

A imunoterapia é sem dúvida um novo marco no tratamento do câncer. É um tratamento com resultados surpreendentes, mas precisa ser empregada com rigorosos critérios de seleção e acompanhamento dos pacientes. Não é a “cura do câncer”, e também não pode ser considerada melhor ou pior que os demais métodos de tratamento, mas sim é mais uma grande arma que auxiliará muitos pacientes no combate ao câncer.

Dr. Fernando Chicoski
Cancerologista Clínico
CRM-PR: 19102
RQE: 14016
Neo Saúde – Oncologia

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